terça-feira, 20 de maio de 2008

"rise and shine" .. o cara***...


Existe, para todo o ser humano, uma hora do dia extremamente penosa, a hora do despertar. De olhos semi-serrados a passos atabalhoados pela casa, apoiamos as mãos nas paredes até que se recupere totalmente o equilíbrio vertical, a luz fere-nos os olhos, o chão frio, os pés descalços, e o espelho, esse fere-nos o ego, que parecendo mortos-vivos, poucas semelhanças temos com a pessoa, que, horas antes escovara os dentes no mesmo local. O sabor que se prende na boca, é algo de inexplicável, num misto de charutos secos de oferta de casamento e papel de jornal reciclado. o raciocínio toldado pela saudade da almofada, impede-nos de realizar as mais simples tarefas, desde abrir um pacote de leite sem derramar a colocar açúcar no café sem desperdiçar. Os bocejos constantes dificultam de sobremaneira a coordenação motora e a lentidão a que tudo isto se passa, raramente nos favorece a pontualidade. Tudo isto permite-me concluir que o ser humano não foi feito para cumprir horários. Estes foram pré-estabelecidos por uma sociedade doentia e todos concordamos, porque já assim o era quando nascemos. Ir de encontro às necessidades fisiológicas primárias de cada um é uma afronta à evolução e um insulto à Declaração Universal dos Direitos do Homem...

terça-feira, 13 de maio de 2008

Ritinha e o pedestal...


Queima das Fitas, dia de cortejo.
Aglomerados de pais atropelam-se nos passeios adjacentes à Praça da Republica esperando a chegada dos filhos que, nos seus carros de curso, ostentam orgulhosamente a celebração do seu penúltimo ano de estudos.
Ritinha frequenta o curso de Psicologia, não reprovara um único ano e nunca terá deixado sequer uma disciplina para "trás", é como se costuma dizer, um exemplo para todos e o orgulho da familia.
O senhor e a senhora Gulhifontes, aguardam ansiosamente a chegada do seu rebento para a congratularem pelo excelente trabalho. Entre a barulheira dos estudantes eufóricos com a excitação da parada (e da bebida), la aparece Ritinha, descalça, meias completamente rasgadas, saia descomposta, e os três primeiros botões da camisa desabotoados, deixando ver o soutien branco em contraste com a sua pele morena. Na cabeça trazia a gravata o grelo em trança e uns óculos de sol cor-de-rosa que depressa tirou e colocou no nariz ao avistar os pais. De braços abertos e aos zigue-zagues esquartejava a língua portuguesa a torto e a direito, dando a impressão de estar a falar um dialecto exclusivamente seu.
Os pais perplexos, não compreendiam. O que se passaria com a sua querida filha, tão "atinadinha" tao "certinha e direitinha", como seria possivel encontrar-se naquele estado lastimável, o que diriam os avós se soubessem, e as pessoas meu Deus, se pessoas conhecidas a vissem. Em negação evidente, perguntam numa aflição, mais fingida que outra coisa, quem lhe havia feito mal. Rita olha para os dois (ou pelo menos parece olhar, não se percebe bem à custa dos ólculos de sol extremamente escuros e sujos de pó e cerveja) e num esgar entramelado arremessa um punhado de palavras das quais apenas se percebeu qualquer coisa como " a queima... vida... alcool... feliz..."

sábado, 10 de maio de 2008

Vários...

Pequenos duendes tentam abrir uma lata de sardinhas com uma espiga de milho, a fome aperta-lhes nos tornozelos, e sem se darem conta, ouvem a musica que um mendigo toca através de um bolso de umas calças de ganga rasgadas. Contam-se pelos dedos das mãos as historias que um velho embala, sentado na margem de um rio lamacento, vezes e vezes sem conta, com a noção de que a redundância latente não o perturba. A memória à muito se foi, resta-lhe um fio condutor, que de tão gasto e tão vivido, mais tarde ou mais cedo, partir-se-a. Fadas gigantescas tecem novelos de rimas traduzidas por um cravo vadio, nas enseadas do Tejo. Verdadeiros alfarrabistas tentam impingir as suas bodegas a qualquer alma que passe , inquisidora, nas ruas de uma cidade vazia. Pétrus, alcança a liberdade através de uma navalha enferrujada junto ao peito, suspirando incertezas feitas de coisas que há muito esqueceu. Feras famintas atropelam-se nas palpitações de um coração assustado. Na espera de um movimento brusco para o ataque, premeditado. E são assim as vontades, suspensas por fios invisíveis, balanceando-se de um querer para outro sem que se apercebam de que no fim das contas, larvas os devorarão...

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Inquietações...


Sou torto pelas ruas direitas onde caminho. Não me evito, limito-e a ser tolerável comigo próprio.

O que se perde no fim, é o que nunca se teve, ou pior, o que nos tiram por afinidade...

Se me sentar num pensamento, embriago-me daquilo em que me sinto coberto. Nada mais é preciso. A necessidade por si só, é um sentimento desnecessário.

A lucidez atraiçoa. Que desapareça! Um dilacerar desassossegado de ideias é um comboio em linhas perpendiculares. A distancia que percorro é tão grande quanto o medo de alcançar o fim.

Se fujo, não me encontro. Se me encontro perco-me de mim.
Inquieto, sou sombra. Ser volátil é ter em si universos de estrelas em decadência.

Percorrer um trajecto não é mais que um passeio pela existência.

Sinto a rugosa angustia de respirar angustiado. Nela, pairo um pouco acima do que seria suposto pensar.

Não me vejo, pois sou foco insípido de transparência embaciada. Nisto, faço o que bem me diz o vento.

A manha raia de sol nos recantos da minha alma nocturna. Fecho os olhos e adormeço entre um clarão e outro.

Se fosse pintor, pintaria o preto de branco, e o tudo, de coisa alguma. Gostaria de tornar as coisas inversamente desiguais.

Se um passo é um começo, não passo de um começo à beira-mar, dividindo-me em metades que não se conjugam. Um passo de cada vez torna a vida enfadonha.

Deixo-me agir enquanto o pensamento dorme. Enquanto divago, destruo a acção e morre a quietude de um sossego.

O tempo é a dimensão do agir.

Se sinto, é-me vago. Se sou, não existo. De tudo o que possa fazer, deixo-me ir.
Balanço entre um e outro sem grande inquietação...

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Fernando, o domador de dentes-de-leao

Fernando, sagrava-se rapaz cativo das informalidades rotineiras. Nos termos em que as coisas que fazia nao lhe eram impostas por uma entidade superior. Executava-as por gosto e muito amor proprio. tinha por habito cortar as unhas dos pés e com elas alimentar a sua tarantula bebé. nao gostava que lhe abrissem as portas, reais, ou mesmo as metafóricas. tudo deveria ser feito á sua maneira. Tinha como sonho , desde criança, construir um circo no qual a principal atracçao seria a que sempre tivera pela senhora que lhe passava a roupa a ferro, vindo, logo a seguir, o dominio das maravilhosas plantas dente-de-leao. Demorou algum tempo até que Zé Quim de Nunes, bebado profissional, se chegasse á frente com o patrocínio. Colocando-lhe a disposiçao 2 pipas e meia de vinho caseiro. Daí, que ele tirasse quanto lucro conseguisse, com uma condição apenas, o vinho nao poderia ser vendido para temperos de bifana nem para vinagre. As condições nao agradavam Fernando, que desde muito cedo, manobrava na perfeiçao os utensilios de cozinha. Pretendia montar alem do circo, um stand alimentar ao estilo "drive-in" como aquele que aparecia no unico filme que viu na vida, "Eramos mais se o pessoal nao se cortasse á ultima da hora", em ingles "Most of them stood at home eating pudin".
Por fim, la encontrou maneira de ganhar dinheiro fazendo apostas multiplas numa feira gastronomica em como conseguia beber as 2 pipas e meia em 3 horas e 48 minutos, conseguindo somar a quantia de 4587 euros e 7 centimos usando-os (7 centimos) para comprar uma trinca numa fartura. Feliz da vida, como ja so lhe faltavam 4414 para os 9001 euros da entrada da prestaçao do circo, aposta tudo numa corrida de porcos perto de sao pedro de moel. O porco de nome Zatarra, no qual Fernando apostou todo o seu dinheiro, (na verdade era uma porca), vencendo o campeonato com distinção, deu-lhe a possibilidade de concretizar o seu sonho.



Actualmente, Fernando é o proprietário de uma das mais prestigiadas cadeias de circos de dentes-de-leao do mundo. Casou-se com Elvira (a senhora de 69 anos que lhe passava a roupa a ferro) e teve 4 filhos homens, todos ilegitimos.

Zatarra foi abatida, após ter perdido o campeoato do ano seguinte devido á gravidez, foi servida aos apostadores como cortesia pela perda do investimento, mas nao antes de dar a luz 7 leitoes, dos quais 1 morreu á nascença, 5 foram vendidos prós lados da mealhada e o ultimo, seguindo as pisadas da mae, apesar de nao ter uma pata, consagrou-se campeao internacional na categoria paraolimpica "three feet".

Smile VS Pac Man


Andava eu aqui perdido por devaneios quando me atravessa na ideia um paralelismo bastante curioso.. Não é que o Smile e o Pac-Man são exactamente a mesma coisa!?... Uma bola amarela personificada, boca e olhos. Um sorri, o sonho americano, felicidade e prosperidade. O outro come fantasmas e é japonês, o que até acho normal se tivermos em conta a gastronomia do país, ... (???) A sua alegada criação tem um espaçamento de 20 anos, tendo sido o Smile, o primeiro a surgir. Normal, país de vanguarda, progresso, etc.. Depois temos o Japão, com aquela relação de longa data, não muito amistosa, com os americanos. Não estando, no entanto, imunes às suas influencias culturais. Pode ser injusto para o senhor que criou o Pac-Man mas, para mim, é no mínimo suspeito...

Já agora, inicialmente chamava-se "puck-man" mas tiveram de adaptar para "pac" quando venderam os direitos do jogo a uma empresa americana, à custa das mentes perversas. Um "p" troca-se facilmente por um "f", eu paso a vida a faze-lo, e é chato, podass...

sábado, 19 de abril de 2008

A demanda



Acreditar, tem-se tornado uma realidade difícil de condicionar. Na medida em que se perde o sentido daquilo que nos permite continuar. Não sei se o descreva como sendo a terrível noção de que se afasta de mim a pureza, ou uma aproximação de cruel tendência para viver uma incerteza. No fundo o que se encontra é demasiado complexo para ser considerado só meu. Enquanto a superfície de calma se espelha em reflexos de alguém que não eu. Olho para o alto e a estonteante grandeza do infinito parece-me fugir a cada pestanejar. Sem adquirir uma forma concreta, esconde-se por detrás do manto de coisas que pretendo ignorar. Mais uma vez acabo, sem ter chegado a um fim. Desaparecendo, lentamente, em distancias somente feitas de mim...

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Uma Estória Qualquer...

Entre tremoços voadores e amendoins paraquedistas, la estava Toninho a ser enxovalhado por todos, aliás, como sempre, na taberna do senhor Marcelino. Baixo, franzino e de expressão inexpressiva, parecia saido de um filme de terror, com aquele andar glamouroso dos zombies e corte de cabelo à lobisomem. Dentes, é que nem ve-los, e o seu odor enojava o mais repugnante dos seres. Toninho era, portanto, um óptimo partido.

O senhor Joaquim, com a filha em idade de casar, colocara um mauscrito no vidro da taberna, colado à escarradela, a avisar da abertura do concurso de candidatos a genro. Toninho não pensa 2 vezes, bebe 3 bagaços de pancada, chega-se a frente e, a gaguejar por tudo quanto era gengiva, la pede a mão da filha ao senhor Marcelino. Ora o senhor Marcelino, com as duas filhas já bem casadas, uma com o homem do talho e outra com o carteiro, apercebendo-se da confusão, olha com uma certa piedade para o pobre rapaz. Aquele tipo de pena que se sente quando se vê um cão abandonado, todo encharcado à chuva a atravessar a estrada. Já Marcelino Junior, filho do senhor Marcelino, manda-lhe em cheio um valente chuto no cú, às custas da falta de respeito pelo seu pai e irmãs. Toninho, à rasca das emorroidas, sem perceber um charuto, ainda tenta pigarrear um pedido de desculpas, mas Marcelino não perdoa, e calca-lhe a cabeça com as galochas do estrume. Quitas, a filha do senhor Joaquim, acaba de entrar nesse momento a tempo de impedir Marcelino de enfiar o 5º bufardo a Toninho, quase inconsciente, acabando por ser ela a enfardar.

La na aldeia ainda existe o costume de fazer as coisas à moda antiga. Quer sejam casamentos arranjados, medas de palha à cabeça, ou duelos de foucinha. Ao chegar aos ouvidos do senhor Joaquim que a filha havia sido agredida por Marcelino, este não tem mais nada, afia o instrumento à medida, tira o tractor do palheiro e segue em direcção à taberna. Toninho, por sua vez, recupera totalmente a consciência após lhe ter mijado em cima bem mais de metade da aldeia. Todo a pingar e com aquele cheirinho a lavado, pega em Quitas pela mão, a mesma mão que minutos antes havia decidido pedir formalmente em casamento, e rouba uma mula que se encontrava estacionada nas traseiras do estabelecimento. Fogem naquele instante para o Luxemburgo, onde os esperava um primo afastado, trabalhador na área da construção de autoclismos.

Nisto, chega o senhor Joaquim, que sem perguntar, vai directo a Marcelino, já arrependido, com ar submisso na tentativa de se desculpar do infortúnio que se abatera, ou melhor, que se iria abater sobre a sua cabeça. Joaquim, hábil foiceiro, em não mais que sete golpes, decepa Marcelino num piscar de olhos, vira costas e pergunta pela filha. Como seria de esperar, o povo atropela-se em explicações, tentando não desagradar ao homem, e la lhe vão contando por eufemismos, sem saber, o destino da rapariga. A reacção foi seguramente tudo o que menos se esperava. Joaquim encolhe os ombros e deixa sair um som que, quem estava mais perto, jurou ter sido algo como.. "eu não tenho filhas..."

A partir desse dia o senhor Joaquim nunca mais foi visto... Há quem diga que foi atrás da filha, outros dizem que se mandou ao rio. Cá para mim, para não se chatear muito, vendeu meia dúzia de terrenos, ou mesmo todos, comprou uma viagem para o Brasil e esta la agora, a gozar a reforma, cheio de mulheres, (ou homens) a satisfazer-lhe as vontades...



p.s. - Esta estória nao é actual, assim como os tempos verbais não são fidedignos. Vim a saber recentemente que Toninho fez uma plástica numa clínica em Bangkok, da-se pelo nome de Ban Ki-Moon e é o actual Secretário Geral das Nações Unidas. O paradeiro de Quitas é desconhecido, mas está em curso uma investigação privada, de patrocinador anónimo, na qual o principal suspeito será Toninho. Especula-se que terá vendido a mulher para fins de prostituição.

Window to Nowhere




We all came from the same

A sparkle sent from the skies

Between moist and heated water

The root of humankind prides

Do you know what you want?

Do you want what you need?

Do you need what you take?

When you take it out of greed?


A place to crash, a loaded dish

A big red car, a broken wish

A wife to blame

A slithering trait

Some ties and suits

Some love, some hate

A busted glass

A painted wall

A dark sacred night

No faith at all

A kind young lady

Some trust in men

And God screaming out

“I’ll do what I can”

Five tons of pressure

They bend and break

Some willing to give

Most eager to take

A tired old man

A window to nowhere

White and pale

Jabbering to the air

A wet smelly floor

Some knocking at the door

The sky as the limit

Just leave it just live it

The Vanity Fair

One hell of a freak show

A monkey and a bear

Some powder to grow

Rubbish in between

The serious drama queens

Some lose in the middle

But no one really wins.


We’ll meet again in the end

Gone treasury and lust

Make sure you understand

“Ashes to ashes dust to dust”.