quinta-feira, 20 de maio de 2010
Indiferenças da rotina
como de outra coisa qualquer,
Já não sou eu, não me sinto.
Sou indiferença camuflada,
que de tanto querer ser,
acabo por não ser nada...
*
Sinto-me fosco, desumano.
Indolor o que me toca.
Esquecido vagueio e ignoro.
Nada me afecta, sobressaio.
Fundido entre as gentes lamacentas,
entorpecidas pela vida que as rege.
Fujo ao sabor da saudade, amargo, doce, tirano!
Afogo-me num mar de costumes.
Desapareço entre as ondas da rotina.
Maré vai, maré vem...
Se me conheço, não existo!
quarta-feira, 28 de abril de 2010
Temendo viver
Quantas não somos mais que fantoches suspensos por fios, no guião que seguimos à risca sem perceber?
Trazemos connosco o destino imutável de uma força superior que não nos permite falhar. E em tudo o que somos não somos mais que o espasmo de um dedo mindinho a girar.
Vencemos guerras temendo falhar se não formos aquilo que ensaiam em nós.
E somos assim nada mais que rebeldes sem causa e sem timbre na voz.
Roendo, de inveja, um osso que, em partes distintas, nos cedem condescendente, criamos à nossa imagem retalhos de vida, fingindo ser realmente.
Paramos quando não queremos e somos forçados a ver.
Não passamos de meros dejectos que bóiam no fim deste rio a correr.
quarta-feira, 14 de abril de 2010
bounded
They say "look around, try to find what isn't there".
With eyes closed and mouth shuted,
I'm earing the steps I've made,
under a wide sky of excuses,
I reflect a silver shade...
"What goes around comes around" they say!
Without a clue I block their way.
Faking braveness filed with defeat
I fight for some kind of delay...
Maybe you won't ever realise
that those sights in front my eyes
are just what you want for me
bluring things I want to see.
They bring us pain, they bring us death,
they speak the truth
and steal my breath.
Sometimes I look and find no way
Feeling the presure to obey
And in the end I might be down
With heavy frown and most unkind
I've paied my fee,
Release my mind!...
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
sem rede
Pergunto-me sim, pergunto.
E sabem la, que eu la sei.
Nem eu sei.
Não se iludam,
não se deixem iludir.
Regras?
Tem-nas telemóveis que tocam e chamam por quem não os quer atender.
Alarmes da existência, que vibram a seu bel-prazer.
Pena é que não o são, de qualquer forma, como poderiam?
Condicionamentos viscerais, ignobeis e banais a trepidar.
De ouvir, de outra coisa ou que não nos diga nada, só por não falar.
quarta-feira, 30 de dezembro de 2009
Coimbra revisited 2004
Solto gargalhadas e olhares frios, gelo veloz em que tropeço...
Tremo sem me verem tremer pois sou sozinho...
Agora, sou todo, sou tudo.
Tratas-me as palavras como àquele barulho constante de uma maquina ao longe em que na monotonia do som se torna imperceptível, fundindo-se ao cenário que te rodeia... Verdades que se arrastam pelas marés, constantemente a dar a costa...
Sorrio e sou forte. Sou rio e passo.
Trago comigo 3 mundos e só um me parece perfeito...
Talvez o teu me pareça demasiado sombrio, e o meu, demasiado desfeito.
Há um ainda por acabar mas o tempo escasseia, parece feito de plasticina.
Molde, molde, molde, em sobreposição grosseira...
Entre escolhas e confusão, a paciência não dura e o chicote é certeiro, (gopishhhh!!), em carne viva... mais uma ferida, um cheque-mate, sem peças no tabuleiro...
sexta-feira, 25 de dezembro de 2009
A ultima décima segunda badalada
Os Sinos dobram, mas dobram demais, com uma vontade arrastada, agastada de resignação serpenteante. O peso de cada tom faz-se sentir na mais grave das notas e o tinir de uma liberdade que não existe ouve-se no ecoar de cada badalada.
2
Mais rápido, indolor e misericordioso seria um cálice de cianeto que apartasse ao corpo o sofrimento, qual antídoto para a alma, do veneno que a corrói.
Assim será.
3
Sentado num velho cadeirão, corrompido pelo tempo e as intempéries do ambiente circundante, ora frio, ora cintilante do caloroso banho de sombras e luz tépida em permanente alternância.
4
O corpo escorrega vagaroso, e os dedos frios seguram um copo de uma bebida antiga. Trago a trago, trago à consciência fugidia a vida toda que julgo ter vivido e a certeza começa a tomar a forma de algo, imperceptivelmente indiferente.
5
No canto superior da minha alma noto algo cintilante, vejo o reflexo de um ser que não eu. Aproxima-se e sinto o bafejar algo gélido. Aquilo que se aproxima.
6
Quero querer ter força para não permitir a aproximação de algo que inevitavelmente se avizinha. Algo que inevitavelmente, no fundo, sei não querer evitar.
7
Um crepitar mais ousado desperta-me por momentos, do súbito entorpecimento hipnótico em me via imerso, absorto.
8
Sinto com clareza um nó de gravata na boca do estômago e uma vontade súbita de vomitar a minha vida estragada, em convulsões e precipitações desmesuradas tento a todo o custo abortar a missão.
9
Fraco, sou, sinto-me. Física e mentalmente, mente, mente... desfoco, foco... crepitar.. corpo... copo...
10
Inspiro profundamente e profundamente expiro. Os dois, por último.
11
O copo rola no corpo, o corpo rola no chão, o crepitar rola para si, e o ser nítido aproxima-se nítido, com um beijo nitidamente frio. Na foice vejo o reflexo de olhos perderem o brilho. No brilho que foi reflexos de alma que deixou de ser.
12
A ultima décima segunda badalada.
sexta-feira, 18 de dezembro de 2009
olhar radar
Nota-se, nota-se tudo.
E no notar, cumplicidade de quem nota,
solicitada ou não, sei que se nota.
Nota-se tudo.
Nota-se o que tentamos esconder, nota-se o que tentamos mostrar.
Sempre se notou.
Verdades, mentiras, é notável.
O acto inglório de fugir ao olho critico de quem nota.
O esforço, a dedicação da involuntária escolha, de tentar fazer com que não se note.
Mas nota-se, mais uma vez, nota-se tudo.
Tudo talvez não. Mas nota-se.
Ingénuos somos se de contrário cremos, e isso, mais que tudo, se nota.
O que se passa ao nosso lado, o que se passa a nossa volta.
E isso, mais que tudo, é notável.
Cansa… tomem nota.
Vagueio, contemplo, notoriamente, evoluo.
Compreendo sem notar que sem notar nota seria.segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
Existencialismos

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009
Desalinho
Como um decânter de emoções, António Pedro Moreira transporta-nos numa viagem apoteótica aos confins da alma, do ser, e das ideosincrasias da vida contemporânea. Traçando perfis nas entrelinhas, contando estórias singulares e, em cada enredo, expondo o buzílis da existência de uma forma requintada e crua.
Apresentação do livro, sexta-feira, 18 de Dezembro pelas 21:00, no anfiteatro da Associação Cultural e Recreativa de Vale de Cambra (ACR).
sexta-feira, 24 de julho de 2009
Alma de aluguer

Sinto vontade de nunca ter existido
Uma incrível tendência para ser nada
quero um tudo que faça sentido
Uma alma descongestionada
Sei que passa não ter querer
Vai e volta num segundo
Sou todo eu não querer ser
Sou eu o dono do mundo
A árvore que cai sem se ouvir
Não emite som algum
Nas contas do existir,
Sou todos e sou nenhum
Pr'a bem ou mal de quem nao sei
Por tanto ou pouco me omitir
Sou só como me dei
Dar, é não consentir.
Prostrado sem perceber
Entretido sem saber
Hoje existo de aluguer.
