Como um decânter de emoções, António Pedro Moreira transporta-nos numa viagem apoteótica aos confins da alma, do ser, e das ideosincrasias da vida contemporânea. Traçando perfis nas entrelinhas, contando estórias singulares e, em cada enredo, expondo o buzílis da existência de uma forma requintada e crua.
Apresentação do livro, sexta-feira, 18 de Dezembro pelas 21:00, no anfiteatro da Associação Cultural e Recreativa de Vale de Cambra (ACR).
Sinto vontade de nunca ter existido Uma incrível tendência para ser nada quero um tudo que faça sentido Uma alma descongestionada
Sei que passa não ter querer Vai e volta num segundo Sou todo eu não querer ser Sou eu o dono do mundo
A árvore que cai sem se ouvir Não emite som algum Nas contas do existir, Sou todos e sou nenhum
Pr'a bem ou mal de quem nao sei Por tanto ou pouco me omitir Sou só como me dei Dar, é não consentir.
Prostrado sem perceber
Afasto quem bem me quer Entretido sem saber Hoje existo de aluguer.
quinta-feira, 23 de abril de 2009
"Sometimes you have to loose everything before the penny finally drops... or... whatever. So here's what I figured out. We're not evil sinners or perfect knock offs of god. We let the world tell us weather we're saints or sex addicts. Sane or insane. Heroes or victims. Weather we're good mothers, or loving sons. But we can decide for ourselves. As a certain wise fugitive once told me, sometimes its not important which way you jump, just that you jump."
Oiço o bater de algo fortuito nas janelas do quarto, como o rufar de uma bateria de tambores, oca e desincronizada. Não me apercebo de inicio do que se trata, o cérebro ainda não se encontra completamente funcional ao acordar. De repente, como se um maestro assim o ordenasse, da-se um silencio repentino e abrupto, completamente desenquadrado com o que se passara segundos antes. Raios de sol invadem a escrivaninha, as paredes, o tecto, moldando ténues sombras de tudo o que se intromete entre a fonte de luz e a tela na qual as suas formas aparecem torneadas. Os passáros la fora retomam o seu canto, supostamente alegre, e tudo se encontra em sintonia perfeita, num equilíbrio de fazer inveja à mais calibrada das balanças. Levanto-me cambaleante e ensonado e dirijo-me à cozinha, iluminada pelo sol da manhã, na busca de saciar a sede matinal que, com assaz frequência, se apodera de mim. No mesmo instante em que abro a torneira, o céu escurece e é como se tivessem aberto também uma, de calibre muito superior, la fora. Repentinamente, tudo escurece, e sou transportado de volta ao momento imediatamente posterior ao meu despertar. O rufar de tambores sem qualquer sincronia e as janelas da cozinha turvas com a agua que as banha. Pergunto-me para onde terá ido o Sol em tão pouco tempo, escassos minutos se passaram desde o ultimo chilrear de um pássaro qualquer. Paro de me questionar, de nada serve. quem sou eu para ousar indagar os caprichos do tempo, dos dias ou a forma como a aparente aleatoriedade das coisas se apresenta perante mim. Deixo-me de disso e sigo a minha vida, ignorando as indeléveis intermitências do Sol.
Entranho-me na cidade, tomo-a como minha. Entre os odores da rua sinto a certeza fria que nao tinha. Dispeço-me num voziferar grosseiro que se intromete entre mim e a beleza. Um pedido de atenção, fugido à incerteza. Tenhamos dó de nós e de tudo. Que a tórrida razão se arrefeça na vontade que a consome em se privar da liberdade. Enquanto todos os caminhos dao a um corpo curvilineo que nos cega, abrimos os olhos e o que nos resta nao passa de uma bodega. Sentimo-nos taciturnos. Sentamo-nos como nos sentimos. Tacteando às escuras o véu que nos encobre, descobrimos as palavras na mao que nos engole. Fazem-se juras eternas e certidoes de obito ao sonho, como a um alimento estragado que se repele em convulsoes num pesadelo medonho. Liberto-me destas correntes, sinto a tinta que escorre, lentamente, entredentes. Cuspo no chão e sou o borrão negro em que protesto impertinente a decadencia.
I took her by the arm and ask her to retrieve she looked at me, scared eyes I see, willing to forgive I asked her one more time, she glanced again at me tears droped her face, oh wet embrace, and cryed compulsively I held her close against my chest,she fought to stay away she couldn't, not right now, so asked her not to stray. I spent my night with her, on empty room, our shelter's floor We fell asleep, slept deeply deep and all was like before.
Há lugares que desconhecemos. Quer no mundo, ou em nos mesmos. encontrar o meio, a vontade para la chegar, se for isso o que queremos, torna-se a cada dia que passa, mais difícil, longincuo. Tememos pelas nossas raizes, pelo que é certo e seguro. Tememos a desilusão antecipada do que podemos perder, pelo que somos, pela hipótese remota de que no fim tudo o que nos resta ser nada.
Percorremos a estrada pelo simples facto de não ser uma escolha mas a única alternativa. A Inercia do mundo existe em nós indubitavelmente, invariavelmente, inevitavelmente...
- Não queres ir tomar um cafézinho logo? - Hã.. pá... - Às 10 e meia no Avenida, entao. - Olha mas eu... - Vá, 'té logo! - ... (oh que caralho)
E nao mais é que isto! Porque raio ha-de ser tão dificil recusar um simples café, ja nem falo das mentiras nas quais nos desfazemos quando a vontade nao é muita, falo daquelas alturas em que por uma simples questão de distracção, não conseguimos evitar o impasse e, naquele breve hesitar, la nos metemos em mais uma senda de hipócrisia visceral. Não é que a incumbencia, se assim lhe podemos chamar, transcenda as capacidades fisicas ou mentais de qualquer vulgar mortal, é que por vezes, pura e simplesmente nao apetece, fodasse!
"Escravatura é a prática social em que um ser humano tem direitos de propriedade sobre outro... " Penso que até aqui todos podemos concordar que esta premissa se enquadra perfeitamente no mercado do futebol actual, na bolsa de transfêrencias e nas obrigações inerentes ao cumprimento dos seus devidos contractos. No entanto, o que me provoca algum desconforto é o facto de um jogador de futebol que ganha 900 mil euros por mês, se queixar de escravatura. Não é que seja inveja, porque a tenho, não é que o rapaz jogue mal, porque não joga, não é certamente a natureza ridícula da maquina de fazer dinheiro que é o futebol, porque isso daria bem mais que uma entrada no blog. O que se passa é que o nosso menino de ouro está de acordo, com o que disse o senhor presidente da FIFA referindo-se aos jogadores de futebol como os escravos contemporâneos. Ora isto, basicamente, é estúpido! E como se não bastasse é também... Estúpido! É que não me sai mais nada, porque me estou agora a lembrar de umas pessoas, nao são muitas, talvez alguns milhões apenas, às quais, aqui à umas dezenas de anos, se costumava chamar de "escravos". Essas pessoas também sofriam como sofre Cristiano, oprimidos pelas pela pressão de uma sociedade doentia, também se viam privados da sua liberdade, como Cristiano, não podendo fazer as escolhas que querem em detrimento das que lhes são incutidas à força, e como se não bastasse de coincidências, também recebiam um ordenado chorudo de qualquer coisa como 900 mil por mês, como Cristiano, só que eram chicotadas... Mas isso na cabeça do rapaz, deve soar a algo como a moeda daquela altura, em que feitas bem as contas com as taxas de cambio e inflação deve estar ela por ela com o seu salário actual. É que só assim, compreendo sem questionar, o exacerbar do sentimento de companheirismo e o, de como quem fala de igual para igual, "sinto-me escravizado". Como eu te compreendo camarada...
nota: ultima frase deve ser lida em tom de nostalgia e ironia exagerada.