sexta-feira, 11 de julho de 2008

Remate à trave...


"Escravatura é a prática social em que um ser humano tem direitos de propriedade sobre outro... " Penso que até aqui todos podemos concordar que esta premissa se enquadra perfeitamente no mercado do futebol actual, na bolsa de transfêrencias e nas obrigações inerentes ao cumprimento dos seus devidos contractos. No entanto, o que me provoca algum desconforto é o facto de um jogador de futebol que ganha 900 mil euros por mês, se queixar de escravatura. Não é que seja inveja, porque a tenho, não é que o rapaz jogue mal, porque não joga, não é certamente a natureza ridícula da maquina de fazer dinheiro que é o futebol, porque isso daria bem mais que uma entrada no blog. O que se passa é que o nosso menino de ouro está de acordo, com o que disse o senhor presidente da FIFA referindo-se aos jogadores de futebol como os escravos contemporâneos. Ora isto, basicamente, é estúpido! E como se não bastasse é também... Estúpido! É que não me sai mais nada, porque me estou agora a lembrar de umas pessoas, nao são muitas, talvez alguns milhões apenas, às quais, aqui à umas dezenas de anos, se costumava chamar de "escravos". Essas pessoas também sofriam como sofre Cristiano, oprimidos pelas pela pressão de uma sociedade doentia, também se viam privados da sua liberdade, como Cristiano, não podendo fazer as escolhas que querem em detrimento das que lhes são incutidas à força, e como se não bastasse de coincidências, também recebiam um ordenado chorudo de qualquer coisa como 900 mil por mês, como Cristiano, só que eram chicotadas... Mas isso na cabeça do rapaz, deve soar a algo como a moeda daquela altura, em que feitas bem as contas com as taxas de cambio e inflação deve estar ela por ela com o seu salário actual. É que só assim, compreendo sem questionar, o exacerbar do sentimento de companheirismo e o, de como quem fala de igual para igual, "sinto-me escravizado". Como eu te compreendo camarada...


nota: ultima frase deve ser lida em tom de nostalgia e ironia exagerada.

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Sofrego sorriso entredentes...



A hipocrisia é o acto de fingir crenças, virtudes
e sentimentos
que a pessoa na verdade não possui. Mas como um acto de bondade ou compaixao aleatório e sem intenção, nao deixa de o ser por isso, a hipocrisia, como uma virtude desprovida de conteúdo, nao deixa de ser uma espécie de simpatia cordial com a qual somos quase "obrigados" a viver, para o bom funcionamento da maquina social em que estamos inseridos.

Tal como a inflação, as relaçoes interpessoais estão, por consequencia directa, ligadas a um ciclo vicioso e viciado de mentiras e corrupções morais. Dou como exemplo os politicos, aqueles seres despresíveis de que a maioria das pessoas não gosta, (e com razão) devido às suas desvirtudes aparentes. Mas dando a volta a questoes dogmaticas, estas criaturas nao sao politicos que por consequencia profissional, se veem ligados à rede de manipulação, demagogia e promessas viciadas que sao tao comuns nessa classe. são pessoas com um cargo aonde simplesmente se expõe com relativa facilidade, a faceta mais hipocrita e tendenciosa, inerente à raça humana. Somos dissimulados por natureza, procuramos a sobrevivencia e a lei da selva mantem-se inalterada desde o inicio dos tempos apenas o nome se encontra desactualizado. ao invés de lei da selva, talvez chamar-lhe Leis da sobrevivencia contemporanea. O que somos afinal, é em parte, aquilo que nos deixam ser, o que escolhemos escolher, as mascras que usamos, e o que deriva dessas escolhas que, boas ou más, nao deixam de se encontrar condicionadas por tudo o resto que nos rodeia.

quarta-feira, 4 de junho de 2008

terça-feira, 20 de maio de 2008

"rise and shine" .. o cara***...


Existe, para todo o ser humano, uma hora do dia extremamente penosa, a hora do despertar. De olhos semi-serrados a passos atabalhoados pela casa, apoiamos as mãos nas paredes até que se recupere totalmente o equilíbrio vertical, a luz fere-nos os olhos, o chão frio, os pés descalços, e o espelho, esse fere-nos o ego, que parecendo mortos-vivos, poucas semelhanças temos com a pessoa, que, horas antes escovara os dentes no mesmo local. O sabor que se prende na boca, é algo de inexplicável, num misto de charutos secos de oferta de casamento e papel de jornal reciclado. o raciocínio toldado pela saudade da almofada, impede-nos de realizar as mais simples tarefas, desde abrir um pacote de leite sem derramar a colocar açúcar no café sem desperdiçar. Os bocejos constantes dificultam de sobremaneira a coordenação motora e a lentidão a que tudo isto se passa, raramente nos favorece a pontualidade. Tudo isto permite-me concluir que o ser humano não foi feito para cumprir horários. Estes foram pré-estabelecidos por uma sociedade doentia e todos concordamos, porque já assim o era quando nascemos. Ir de encontro às necessidades fisiológicas primárias de cada um é uma afronta à evolução e um insulto à Declaração Universal dos Direitos do Homem...

terça-feira, 13 de maio de 2008

Ritinha e o pedestal...


Queima das Fitas, dia de cortejo.
Aglomerados de pais atropelam-se nos passeios adjacentes à Praça da Republica esperando a chegada dos filhos que, nos seus carros de curso, ostentam orgulhosamente a celebração do seu penúltimo ano de estudos.
Ritinha frequenta o curso de Psicologia, não reprovara um único ano e nunca terá deixado sequer uma disciplina para "trás", é como se costuma dizer, um exemplo para todos e o orgulho da familia.
O senhor e a senhora Gulhifontes, aguardam ansiosamente a chegada do seu rebento para a congratularem pelo excelente trabalho. Entre a barulheira dos estudantes eufóricos com a excitação da parada (e da bebida), la aparece Ritinha, descalça, meias completamente rasgadas, saia descomposta, e os três primeiros botões da camisa desabotoados, deixando ver o soutien branco em contraste com a sua pele morena. Na cabeça trazia a gravata o grelo em trança e uns óculos de sol cor-de-rosa que depressa tirou e colocou no nariz ao avistar os pais. De braços abertos e aos zigue-zagues esquartejava a língua portuguesa a torto e a direito, dando a impressão de estar a falar um dialecto exclusivamente seu.
Os pais perplexos, não compreendiam. O que se passaria com a sua querida filha, tão "atinadinha" tao "certinha e direitinha", como seria possivel encontrar-se naquele estado lastimável, o que diriam os avós se soubessem, e as pessoas meu Deus, se pessoas conhecidas a vissem. Em negação evidente, perguntam numa aflição, mais fingida que outra coisa, quem lhe havia feito mal. Rita olha para os dois (ou pelo menos parece olhar, não se percebe bem à custa dos ólculos de sol extremamente escuros e sujos de pó e cerveja) e num esgar entramelado arremessa um punhado de palavras das quais apenas se percebeu qualquer coisa como " a queima... vida... alcool... feliz..."

sábado, 10 de maio de 2008

Vários...

Pequenos duendes tentam abrir uma lata de sardinhas com uma espiga de milho, a fome aperta-lhes nos tornozelos, e sem se darem conta, ouvem a musica que um mendigo toca através de um bolso de umas calças de ganga rasgadas. Contam-se pelos dedos das mãos as historias que um velho embala, sentado na margem de um rio lamacento, vezes e vezes sem conta, com a noção de que a redundância latente não o perturba. A memória à muito se foi, resta-lhe um fio condutor, que de tão gasto e tão vivido, mais tarde ou mais cedo, partir-se-a. Fadas gigantescas tecem novelos de rimas traduzidas por um cravo vadio, nas enseadas do Tejo. Verdadeiros alfarrabistas tentam impingir as suas bodegas a qualquer alma que passe , inquisidora, nas ruas de uma cidade vazia. Pétrus, alcança a liberdade através de uma navalha enferrujada junto ao peito, suspirando incertezas feitas de coisas que há muito esqueceu. Feras famintas atropelam-se nas palpitações de um coração assustado. Na espera de um movimento brusco para o ataque, premeditado. E são assim as vontades, suspensas por fios invisíveis, balanceando-se de um querer para outro sem que se apercebam de que no fim das contas, larvas os devorarão...

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Inquietações...


Sou torto pelas ruas direitas onde caminho. Não me evito, limito-e a ser tolerável comigo próprio.

O que se perde no fim, é o que nunca se teve, ou pior, o que nos tiram por afinidade...

Se me sentar num pensamento, embriago-me daquilo em que me sinto coberto. Nada mais é preciso. A necessidade por si só, é um sentimento desnecessário.

A lucidez atraiçoa. Que desapareça! Um dilacerar desassossegado de ideias é um comboio em linhas perpendiculares. A distancia que percorro é tão grande quanto o medo de alcançar o fim.

Se fujo, não me encontro. Se me encontro perco-me de mim.
Inquieto, sou sombra. Ser volátil é ter em si universos de estrelas em decadência.

Percorrer um trajecto não é mais que um passeio pela existência.

Sinto a rugosa angustia de respirar angustiado. Nela, pairo um pouco acima do que seria suposto pensar.

Não me vejo, pois sou foco insípido de transparência embaciada. Nisto, faço o que bem me diz o vento.

A manha raia de sol nos recantos da minha alma nocturna. Fecho os olhos e adormeço entre um clarão e outro.

Se fosse pintor, pintaria o preto de branco, e o tudo, de coisa alguma. Gostaria de tornar as coisas inversamente desiguais.

Se um passo é um começo, não passo de um começo à beira-mar, dividindo-me em metades que não se conjugam. Um passo de cada vez torna a vida enfadonha.

Deixo-me agir enquanto o pensamento dorme. Enquanto divago, destruo a acção e morre a quietude de um sossego.

O tempo é a dimensão do agir.

Se sinto, é-me vago. Se sou, não existo. De tudo o que possa fazer, deixo-me ir.
Balanço entre um e outro sem grande inquietação...

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Fernando, o domador de dentes-de-leao

Fernando, sagrava-se rapaz cativo das informalidades rotineiras. Nos termos em que as coisas que fazia nao lhe eram impostas por uma entidade superior. Executava-as por gosto e muito amor proprio. tinha por habito cortar as unhas dos pés e com elas alimentar a sua tarantula bebé. nao gostava que lhe abrissem as portas, reais, ou mesmo as metafóricas. tudo deveria ser feito á sua maneira. Tinha como sonho , desde criança, construir um circo no qual a principal atracçao seria a que sempre tivera pela senhora que lhe passava a roupa a ferro, vindo, logo a seguir, o dominio das maravilhosas plantas dente-de-leao. Demorou algum tempo até que Zé Quim de Nunes, bebado profissional, se chegasse á frente com o patrocínio. Colocando-lhe a disposiçao 2 pipas e meia de vinho caseiro. Daí, que ele tirasse quanto lucro conseguisse, com uma condição apenas, o vinho nao poderia ser vendido para temperos de bifana nem para vinagre. As condições nao agradavam Fernando, que desde muito cedo, manobrava na perfeiçao os utensilios de cozinha. Pretendia montar alem do circo, um stand alimentar ao estilo "drive-in" como aquele que aparecia no unico filme que viu na vida, "Eramos mais se o pessoal nao se cortasse á ultima da hora", em ingles "Most of them stood at home eating pudin".
Por fim, la encontrou maneira de ganhar dinheiro fazendo apostas multiplas numa feira gastronomica em como conseguia beber as 2 pipas e meia em 3 horas e 48 minutos, conseguindo somar a quantia de 4587 euros e 7 centimos usando-os (7 centimos) para comprar uma trinca numa fartura. Feliz da vida, como ja so lhe faltavam 4414 para os 9001 euros da entrada da prestaçao do circo, aposta tudo numa corrida de porcos perto de sao pedro de moel. O porco de nome Zatarra, no qual Fernando apostou todo o seu dinheiro, (na verdade era uma porca), vencendo o campeonato com distinção, deu-lhe a possibilidade de concretizar o seu sonho.



Actualmente, Fernando é o proprietário de uma das mais prestigiadas cadeias de circos de dentes-de-leao do mundo. Casou-se com Elvira (a senhora de 69 anos que lhe passava a roupa a ferro) e teve 4 filhos homens, todos ilegitimos.

Zatarra foi abatida, após ter perdido o campeoato do ano seguinte devido á gravidez, foi servida aos apostadores como cortesia pela perda do investimento, mas nao antes de dar a luz 7 leitoes, dos quais 1 morreu á nascença, 5 foram vendidos prós lados da mealhada e o ultimo, seguindo as pisadas da mae, apesar de nao ter uma pata, consagrou-se campeao internacional na categoria paraolimpica "three feet".

Smile VS Pac Man


Andava eu aqui perdido por devaneios quando me atravessa na ideia um paralelismo bastante curioso.. Não é que o Smile e o Pac-Man são exactamente a mesma coisa!?... Uma bola amarela personificada, boca e olhos. Um sorri, o sonho americano, felicidade e prosperidade. O outro come fantasmas e é japonês, o que até acho normal se tivermos em conta a gastronomia do país, ... (???) A sua alegada criação tem um espaçamento de 20 anos, tendo sido o Smile, o primeiro a surgir. Normal, país de vanguarda, progresso, etc.. Depois temos o Japão, com aquela relação de longa data, não muito amistosa, com os americanos. Não estando, no entanto, imunes às suas influencias culturais. Pode ser injusto para o senhor que criou o Pac-Man mas, para mim, é no mínimo suspeito...

Já agora, inicialmente chamava-se "puck-man" mas tiveram de adaptar para "pac" quando venderam os direitos do jogo a uma empresa americana, à custa das mentes perversas. Um "p" troca-se facilmente por um "f", eu paso a vida a faze-lo, e é chato, podass...